sábado, 6 de agosto de 2016

Infância

Nasci num lar evangélico, meu avô fazia parte do coro da igreja com a sua viola afinadíssima, enquanto eu me espremia entre os bancos de madeira com meus olhos de menino atento à tudo. As reuniões bem pentecostais e animadas deixavam-me desperto e atento. Encantava-me observar meu avô e seus colegas no coro com seus mais variados instrumentos, meu avô dedilhava a viola como nenhum outro e tudo aquilo preenchia minha fantasia de menino.

Não consigo recordar de qualquer pregação daqueles dias, eram sempre a moda pentecostal, aos gritos e berros ensurdecedores. A pior parte era quando acontecia de aparecer alguém na igreja possuída por um demônio qualquer, naquela noite seria mais uma de pesadelos. Tratava-se de uma pequena igreja, que apesar dos excessos, era uma comunidade séria e sem manchas de alguma má conduta por parte de seus líderes em sua história.

Mais tarde com meus pais mudamo-nos para uma igreja maior, de tradição conservadora e tradicional, mas nem por isto menos interessantes. Com meus irmãos procurava dividir os primeiros bancos e com muita atenção e reverencia participávamos dos cultos ali prestados. Naquela época não existia o que há hoje, culto para crianças e até para adolescentes e jovens separado dos cultos dos adultos. A advertência vinha de casa, portávamos bem ou quando chegássemos em casa as coisas seriam resolvidas na base das correadas.

E foi assim, meus primeiros passos na fé cristã evangélica. Quando tinha dez anos já tinha consciência da minha fé pessoal em Cristo e com meus irmãos em casa brincávamos de igreja, revezando entre pastor e assistentes, e assim fomos crescendo, aos onze fui batizado, igualmente meus irmãos, embora nem todos tenham perseverado na fé.

Pastor




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